quarta-feira, 5 de novembro de 2008

América a votos: notas finais

5h30. Fico por aqui. Foi uma noite histórica e muito divertida, a título pessoal. Obrigado a todos que me seguiram. Nos próximos dias haverá oportunidade para dissecarmos alguns resultados e analisarmos as eleições. Contem comigo para o fazer!

5h28. Os Democratas conseguem maiorias confortáveis no Senado e na Câmara dos Representantes. Tendo em conta que em 2006 já tinham "roubado" lugares aos Republicanos, esse facto não deixa de ser notável.

5h24. Ainda não é certo, mas a Carolina do Norte e o Indiana devem cair para Obama, mesmo que por margens curtíssimas. O Ohio foi de facto a conquista decisiva, mas confirma-se a ideia de que Obama tinha diversos "caminhos para a vitória". Obrigar McCain a lutar em vários Estados e regiões - quando dispunha de vantagem financeira e organizativa no terreno - foi uma estratégia que pagou dividendos.

5h17. Parece que alguns comentadores portugueses, depois de desdenharem meses a fio as hipóteses de Obama, descobriram um novo desporto: relativizar a sua vitória. "Margens mínimas", escreve-se por aí. Alguns dados: Obama é o primeiro Democrata desde Jimmy Carter, em 1976, a ultrapassar 50% do voto popular. A sua contagem no Colégio Eleitoral deverá ser superior a 350 Votos Eleitorais (contra menos de 190 de McCain), mais 80 Votos do que conseguiu Bush em 2000 e 2004. Estima-se que Obama tenha ganho cerca de 5 milhões de votos a mais que McCain. Triunfo apertado? Margens mínimas? Maus fígados, diria antes.

5 comentários:

joberto disse...

Barack Obama, presidente eleito

Obama é o presidente eleito e já fez história. Seu nome será lembrado para sempre na história dos EUA e na história do mundo. Sinto-me profundamente agradecido a Deus por presenciar esse momento. Com esse fato de ontem podemos concluir que no mundo as pessoas compreendem mais a diversidade cultural, aceitam mais o convívio pluralista são mais tolerantes.

É uma vitória da inteligência e do conhecimento sobre a ignorância e o obscurantismo. Uma revolução na maneira de pensar comparável à revolução copernicana.

Nunca mais o mundo será o mesmo pois não se voltará a falar sobre a suposta 'inferioridade racial dos negros". E tudo isso sem que, em nenhum momento, tenha-se utilizado o tema "racial" para afirrmar-se. Estamos todos de parabéns, negros, brancos, amarelos, vermelhos, etc.

E parabéns também para algo oculto em tudo isso: a grande antropologia americana, que disseminou a visão pluralista: Margareth Mead, Franz Boas (alemão que fez carreira nos EUA e difundiu o moderno conceito de cultura) e, é claro, a Clifford Gertz, morto recentemente. De todos eles vêm as raizes intelectuais da visão contemporânea e pluralista demonstrada pelos americanos nessas eleições.

Um abraço a vc e parabéns pelo trabalho.

Anónimo disse...

Excelente trabalho.
Parabéns

José Gomes André disse...

Obrigado pelos comentários... Muito interessante a sua reflexão, caro Joberto. Não há dúvida de que esta eleição tem uma carga simbólica enorme...

Nuno Gouveia disse...

Caro José Gomes André,

De facto foi uma vitória muito confortável. Não foi Reagan ou Nixon, mas foi bem maior do que pensava. Relativizar o tamanho da vitória é de facto mau perder.

Um Abraço

José Gomes André disse...

Caro Nuno, subscrevo o que disse. Foi confortável (7%) e acabar por vencer a NC e o MO chega a números bastante improváveis. Mas não foi um "landslide" como já ouvi dizer. A definição de landslide obriga a +375 EV e a 10% de vantagem. Não foi Nixon, nem Reagan. A melhor comparação acaba por ser com Clinton (o mapa tem aliás algumas semelhanças...).

A minha tirada era a pensar no Pacheco Pereira, que disse que tinha sido renhidíssimo e que as diferenças eram irrisórias... Enfim, cada um vê o que quer!

Um grande abraço!