quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Eleições na Geórgia

O Republicano Saxby Chambliss venceu a segunda volta da eleição para o Senado, derrotando claramente Jim Martin (quando escrevo, Cambliss lidera por 16%, com 96% dos votos apurados). Chambliss representará assim o Estado da Geórgia durante os próximos seis anos (segundo mandato), mercê de um triunfo aguardado, mas que poucos esperavam vir a ser tão expressivo.

Há vários motivos que o podem explicar, contudo. A máquina Republicana empenhou-se a fundo nesta disputa, depois da pesada derrota nas eleições gerais de 4 de Novembro, tendo figuras nacionais como Sarah Palin, Rudy Giuliani e o próprio John McCain feito campanha pelo senador Chambliss. Esse empenho traduziu-se numa boa mobilização do eleitorado tradicional, especialmente nas áreas rurais e nos subúrbios, onde Chambliss obteve excelentes resultados.

Os Democratas, pelo contrário, não foram capazes de reproduzir a notável mobilização do eleitorado afro-americano em 4 de Novembro, que deixou Obama apenas a 5% de McCain. Por outro lado, as condições políticas eram adversas: a Geórgia é um dos Estados mais conservadores da nação, Chambliss era um incumbente relativamente popular e Jim Martin arrancou demasiado tarde para a campanha, depois de umas primárias muito disputadas contra Vernon Jones.

Com esta vitória, os Republicanos garantiram uma minoria de bloqueio no Senado (41 lugares), independentemente de quem vencer a recontagem no Minesotta. Significa isto que poderão obstruir (filibuster) a votação de determinadas propostas prolongando indefinidamente o debate (os Democratas precisariam de 60 senadores para o evitarem). Este facto poderá assim exigir da Administração Obama uma grande capacidade de negociação com a bancada Republicana. Como referi antes, não é por acaso que o novo Presidente-eleito continua a dar sinais de pretender avançar com um gabinete e uma agenda política suprapartidários...

4 comentários:

Carlos Santos disse...

Caro amigo,

Voltei ao activo. Envio-te um mail mais logo. Para uma leitura das causas do "alheamento" de Barack Obama do que se passou na Georgia deixo o meu link: http://ovalordasideias.blogspot.com/2008/12/porque-ignora-obama-derrota-na-georgia.html

Abraço,
Carlos

Nuno Gouveia disse...

Meu caro,

Eu até acho que a maioria dos 60 senadores é mais simbólica do que real, pois sabemos que nos EUA os representantes eleitos não votam em bloco, como por cá. Portanto, não havendo disciplina de voto, essa maioria não teria muito valor, pois poderia sempre haver senadores democratas a furar, como quase sempre acontece. Aliás, uma das coisas que gosto no sistema americano é que lá existem 100 cabeças que pensam, enquanto por cá, apenas temos cinco.

Abraço

José Gomes André disse...

Obrigado pelo comentário, caro Carlos! O teu post estava muito bem fundamentado, como é teu apanágio...

Caro Nuno, subscrevo em absoluto o teu comentário, sublinhando que um dos elementos que mais elogio nos EUA é de facto a inexistência de disciplina de voto. É uma garantia de liberdade, isenção e de respeito pela soberania popular (i.e., de que os interesses dos eleitores poderão ser defendidos pelos seus representantes mesmo que os partidos estejam em desacordo com a vontade popular).

Confesso aliás que me repugna esta ideia lusitana (e não só) de que um deputado pode votar contra a sua consciência, obedecendo antes aos ditames partidários. Perturba-me política e filosoficamente. É bom saber que não estou sozinho nesta minha convicção...

Um abraço aos dois!

Carlos Santos disse...

Um abraço a ambos e a minha total concordância com o que dizem. A ideia de um Rahm negociar com partidos "across the aisle" devia ser bizarra por cá.
Carlos