sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Se eu fosse conselheiro de McCain

Um pequeno exercício: elaborar uma estratégia para os últimos quatro dias de campanha. Talvez já venha tarde, mas a meu ver seriam uma forma de pelo menos aproximar McCain de Obama:

1. Regressar de forma inequívoca a um discurso moderado, recuperando a imagem de McCain como um político independente. Condenar os elementos populistas e mais radicais da agenda Republicana, que contaminaram a sua campanha nas últimas semanas.

2. Assumir o compromisso de cumprir apenas um mandato. Agitaria a corrida; teria enorme atenção dos media; e reforçava a mensagem suprapartidária e não-eleitoralista. Insistir pois na ideia de uma Presidência singular, quatro anos para implementar reformas impopulares, mas necessárias para salvar o país, sem recear ser condenado pelos eleitores em 2012. Country First.

3. Obter um apoio de renome, com enormes credenciais políticas e que ajudasse a convencer os indecisos. Condolleezza Rice seria o nome ideal: poderia criar dúvidas no eleitorado afro-americano e feminino, e relançaria a credibilidade da candidatura de McCain.

4. McCain não pode aparecer em todos os Estados competitivos, por isso é lógico que abandone os que estão a ter sondagens ligeiramente acima da sua média nacional - Estados que acabarão por pender para o seu lado caso recupere de uma forma geral. Em sentido contrário, a Pensilvânia é caso perdido. A Flórida e o Ohio são demasiado grandes para aparições de última hora. Já a Virgínia e o Colorado são absolutamente decisivos e McCain não lhes tem dado a importância devida. Eu agendaria visitas para Fairfax County e Richmond (Virgínia) sexta-feira e no fim-de-semana. Segunda-feira partia para o Colorado e divida o par: McCain nos subúrbios de Denver; Palin em Colorado Springs, a motivar a base Republicana.

2 comentários:

Rui Pedro Nascimento disse...

O ponto 2 é extremamente discutível. Poderia levar os indecisos a pensar que um mandato poria (até porque poria mesmo) Sarah Palin como Presumptive nominee daqui a quatro anos. E isso poderia levá-los a virar para Obama.

José Gomes André disse...

Caro Rui, obrigado pelo comentário. Todas estas "propostas" têm o seu risco, mas nesta altura acho que poderiam compensar. A sua objecção é muito válida, mas repare que se McCain não fizesse esse compromisso, na eventualidade de uma vitória, Palin será sempre a "presumptive nominee", daqui a 4 ou 8 anos...

A diferença estaria na percepção dos eleitores face ao próprio McCain: e esse compromisso reforçaria, a meu ver, esta ideia de uma "Presidência" especial, concentrada nos problemas do país, e não nos "interesses políticos"...